DEUS DISSE A MULHER
Minha filha estás completa
Forte como barra mina
Capaz de resolver tudo
Perdoar quem discrimina
Ser mãe cumprindo a missão
Saber dizer sim e não
Lição que o senhor ensina.
Tu tens a capacidade
De curar o coração
A alma e a matéria
Se olhar com compaixão
Vai curando toda dor
Com uma dose de amor
Renova a situação.
Expressa através de lágrimas
Os maiores sofrimentos
Assume maiores cargos
Confiam nos seus talentos
Prestam contas e favores
Compartilham seus valores
Mesmo nos esquecimentos
Depois que te aprontei
Fiz minha avaliação
Examinando todinha
Alisando com a mão
Nisso encontrei um defeito
Chorei sem poder dar jeito
Vai pra toda geração.
Com todas as qualidades
Que em ti pude botar
Assumir emprego e casa
Família para criar
Tudo que em ti faltou
Umas não se dão valor
Deixa outro debochar.
Termino te abençoando
Filha do meu coração
Mesmo que tu seja frágil
Ainda te dou perdão
Porque te amo mulher
Aonde você tiver
Tem a minha proteção.
AutoraHELENA BEZERRA.
Faço um convite sincero A todos apologistas Poetas e cordelistas Indo ao mundo virtual Pesquise em blog e jornal Viva sempre em sintonia Venha fazer companhia Curtir e apreciar E se poder comentar Um foco de poesia.
sábado, 28 de março de 2020
domingo, 16 de fevereiro de 2020
O DESEJO DE BEIJAR.
Pelos anos de setenta
Inda izistia rigô
Os pais cuidava dus fi
Cuma se faz cum robô
As cena mais arrogante
Se via no interiô.
Naciso de Chico Bento
Namorô cum Francisquinha
Ele na sala da frente
E ela lá da cozinha
Jogava o par de bozó
Que outo jeito nun tinha.
Todo dumingo ele ia
Dispôs de incher a barriga
Andava três légua apé
O calor dava fadiga
Suor discia rolano
Chega fidia a fuimiga
Muntas vêz via de longe
Aquela môça singela
Qui iscuieu pra amar
E apaxonouce purela
Nun via o dia e a ora
Para pidir a mão dela.
Insaiva todo dia
O jeito de infrentá
Os pais pru mode pidir
A mão dela pra casá
Antes ele precisava
A môça cumunicá.
No dia do piditoro
Cuma era do agrado
Butaro os dois na frente
O bê a bá foi traçado
Proguntaro pela casa
E tombém pelo roçado.
Era período de festa
De santo Antôe padrueiro
Todo mundo era devoto
Trabaiava o dia inteiro
A noite ia pra novena
Do santo casamenteiro.
Foi a famia todinha
Nesse dia do noivado
Divido ser munto longe
Fôro de carro fretado
Primeira vez qui o casal
Se assentaro incostado.
A novena rendeu munto
E cumeçou o leilão
A mãe precisou sair
Recumendou o irmão
Tocai aí eles dois
Qui vou oiar um balão.
O muleque ficou colado
Obseivano o casal
O noivo se adiantou
Pensano qui era normal
Beijar a mão da donzela
Por ser noivo oficial.
Cono cumeçou beijar
O muleque inloquiceu
Gritou tão arto que o povo
Pra cima deles correu
Curiosos pra saber
O que foi que aconteceu.
A famia chegou junto
A mãe iguá uma fera
Pensei qui você prestava
Mais a ninguém considera
Perdeu tôda confiança
Casamento aqui já era.
Rebanhou tudo pra casa
O noivo iscapuliu
A mãe dispensou o carro
E o comboio siguiu
Tudo apé no iscuro
Não pudia dá um siu
O castigo foi pra todos
Pela disobidiênça
O casal recem noivado
Que num teve paciênça
De esperá o casamento
Para beijar com descênça.
O noivo fulo de raiva
Ficou munto incabulado
Foi imbora pra sumpalo
Sem deixar nehum recado
A noiva amargamente
Ingulia esse bucado.
Dispôs qui ele vortô
Fôro iscundido casá
Na hora qui o pade disse
Agora pode beijá
O noivo gritou tá doido
A sogra vai me matar.
Só pra dizer cuma era
Os namôro do passado
As môça casava virge
O respeito era sagrado
Quem avançasse o sinal
Levava surra de pau
Ou era preso ou capado.
Produzido por Helena Bezerra.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
MATUTO NA CAPITÁ
No sítio das cajaranas
Bem perto de Cuxixó
Três famias residia
Dominadas por Chicó
Qui era o chefe do clã
Bruto qui fazia dó
Mascava fumo boró
Im todo canto cuspia
E cono matava um galo
Os ovo dele ingulia
Todo mundo tinha mêdo
Por isso lhe obidicia
Tinha uma prole de quinze
Tudo ia pru roçado
No meio deles Zé Novo
Qui si dizia letrado
Seu sonho era cuincer
A capitá do estado
Dispôs qui fêz vinte e dois
Vendeu safra de aigudão
Impacotou o dinheiro
Deu a parte do patrão
Comprou passage e seguiu
Num ondu de lotação
Chegou na cidade grande
Achou tudo diferente
Ficou todo apavorado
Cum carro e cum munta gente
Sem distino se sentou
Na ponta de um batente
Sintiu fome e num sabia
Aonde tinha cumer
Se levantou e saiu
Siguino sem intender
Casa dum lado e do outo
Nada tinha pá vender,
Fome sêde e a quintura
Deixou Zé Novo duente
Com uma dô na barriga
Qui chega trincava o dente
Doido pra achar o canto
Qui bota feze de gente
Tinha comprado um jornal
Ia cum ele na mão
Pidiu ajuda dizeno
Tou cum munta precisão
De ocupar um banheiro
Me dêre imformação,
Alguem disse siga enfrente
Dispôs daquela isquina
Vá pelo lado direito
É lá qui a rua termina
Se tiver gente progunte
Qui quarquer pessoa insina
Zé saiu quage correno
Suor frio suor quente
Murmurava aperriado
Isso é canto de gente
Lá im casa é a vontade
Seja sadi ou duente
Cuno chegou no locá
Qui o povo tinha insinado
Abriu a porta e ficou
Oiano pra todo lado
Num sabia onde fazer
O bojo tava tampado.
Utilizou o jorná
E dispôs impacotou
Saiu cunduzino tudo
Du lado qui foi vortou
Passou no mei duma feira
E outra cena topou.
Uma equipe de fiscá
O peso fiscalizano
Pidiu de Zé o pacote
Na balança foi pesano
Você comprô isso aonde
E ele só gaguejano
Diga logo onde foi
Pois tá munto má pesado
Vou processá o cumécio
Você tombem é curpado
Se nun disser eu te prendo
Deixo logo incacerado.
Tremeno disse num sei
Isso é obra meu sinhô
Num tive onde jogá
Num me prenda pur favô
Quero ir pra cajarana
Mas o carro me deixou.
E saiu dali correno
Cum o pacote na mão
Entrou na istrada errada
E subiu num caminhão
Qui ia nouto distino
Mas silivrou da prisão.
Adispôs de três sumanas
Zé Novo im casa chegou
Todo mundo proguntava
Zé, da capitá gostou?
Pensei qui tava impregado
Nem di nós se alembrou.
Qui impregado qui nada
Eu tou todo revortado
Aquilo é lugá de gente
Onde o povo é obrigado
Pesar até o defeque
Ô canto amardiçuado
No sítio das cajaranas
Bem perto de Cuxixó
Três famias residia
Dominadas por Chicó
Qui era o chefe do clã
Bruto qui fazia dó
Mascava fumo boró
Im todo canto cuspia
E cono matava um galo
Os ovo dele ingulia
Todo mundo tinha mêdo
Por isso lhe obidicia
Tinha uma prole de quinze
Tudo ia pru roçado
No meio deles Zé Novo
Qui si dizia letrado
Seu sonho era cuincer
A capitá do estado
Dispôs qui fêz vinte e dois
Vendeu safra de aigudão
Impacotou o dinheiro
Deu a parte do patrão
Comprou passage e seguiu
Num ondu de lotação
Chegou na cidade grande
Achou tudo diferente
Ficou todo apavorado
Cum carro e cum munta gente
Sem distino se sentou
Na ponta de um batente
Sintiu fome e num sabia
Aonde tinha cumer
Se levantou e saiu
Siguino sem intender
Casa dum lado e do outo
Nada tinha pá vender,
Fome sêde e a quintura
Deixou Zé Novo duente
Com uma dô na barriga
Qui chega trincava o dente
Doido pra achar o canto
Qui bota feze de gente
Tinha comprado um jornal
Ia cum ele na mão
Pidiu ajuda dizeno
Tou cum munta precisão
De ocupar um banheiro
Me dêre imformação,
Alguem disse siga enfrente
Dispôs daquela isquina
Vá pelo lado direito
É lá qui a rua termina
Se tiver gente progunte
Qui quarquer pessoa insina
Zé saiu quage correno
Suor frio suor quente
Murmurava aperriado
Isso é canto de gente
Lá im casa é a vontade
Seja sadi ou duente
Cuno chegou no locá
Qui o povo tinha insinado
Abriu a porta e ficou
Oiano pra todo lado
Num sabia onde fazer
O bojo tava tampado.
Utilizou o jorná
E dispôs impacotou
Saiu cunduzino tudo
Du lado qui foi vortou
Passou no mei duma feira
E outra cena topou.
Uma equipe de fiscá
O peso fiscalizano
Pidiu de Zé o pacote
Na balança foi pesano
Você comprô isso aonde
E ele só gaguejano
Diga logo onde foi
Pois tá munto má pesado
Vou processá o cumécio
Você tombem é curpado
Se nun disser eu te prendo
Deixo logo incacerado.
Tremeno disse num sei
Isso é obra meu sinhô
Num tive onde jogá
Num me prenda pur favô
Quero ir pra cajarana
Mas o carro me deixou.
E saiu dali correno
Cum o pacote na mão
Entrou na istrada errada
E subiu num caminhão
Qui ia nouto distino
Mas silivrou da prisão.
Adispôs de três sumanas
Zé Novo im casa chegou
Todo mundo proguntava
Zé, da capitá gostou?
Pensei qui tava impregado
Nem di nós se alembrou.
Qui impregado qui nada
Eu tou todo revortado
Aquilo é lugá de gente
Onde o povo é obrigado
Pesar até o defeque
Ô canto amardiçuado
Gastei tôdo meu dinheiro
Sufri do jeito do cão
Morro e num conto a ninguém
Pra num haver mangação
Nem descascar a ferida
Eu fui no inferno im vida
Morreno num vou mais não.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
VIVER COM FELICIDADE
Quem provar o prazer de ser feliz
Tem um auto domínio de fazer
O seu ego optar para viver
Desligado de vícios infeliz
No trajeto da vida sempre quis
Fazer bem ao próximo e procurar
Ser distante de quem prejudicar
Um projeto que educa e que ensina
Felicidade é semente que germina
No terreno que o dono semear.
Felicidade não é um instrumento
Que se vive a procura todo dia
Ela nasce no coração e cria
Uma forma de ser como fermento
Vai crescendo e chega a cem por cento
As ideias do próximo ajudar
No silêncio sem nada propagar
Nem apontar o que outro determina
Felicidade é semente que germina
No terreno que o dono semear.
Felicidade prospera onde tem
Coração transbordante de amor
Simplicidade fruindo com fervor
Sem sonegar o direito de ninguém
Os deveres compridos geram o bem
E o prazer de servir sem reclamar
Na palavra de Deus se basear
E transmitir para quem se contamina
Felicidade é semente que germina
No terreno que o dono semear.
Felicidade é sentir o coração
Bater forte na sua extremidade
No pulsar expulsar sua vontade
De servir a quem passa precisão
Fatiar dividindo o próprio pão
Com faminto sedento a esperar
Receber um bocado pra jantar
Recostado na ponta da esquina
Felicidade é semente que germina
No terreno que o dono semear.
Autora:HELENA BEZERRA.
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
DESPERDÍCIO DE ÁGUA
A água é vida
Merece cuidado
O povo estragado
Precisa mudar
Só tem três por cento
De água potável
Gasto incalculável
Tem que se frear
Falta consciência
Na humanidade
Derrama a vontade
A água tão boa
Comparam com lixo
Aquela usada
Desce a enxurrada
Formando lagoa
É o desperdício
E a poluição
Inutilização
De várias reservas
E o esgotamento
Afeta os vivos
Tornando cativos
Por falta de ervas
Torneira ligada
Água derramando
Mangueira jorrando
Água na calçada
Banho demorado
Com chuveiro aberto
Desperdiça perto
Duma tonelada.
A água servida
Ninguém aproveita
Todo mundo aceita
O líquido gastar
Sem limitação
Estão destruindo
E ela sumindo
Sem poder voltar
A água é vital
Já tem um alerta
Faltando na certa
Gente vai morrer
Sem ter uma gota
O mundo explode
Estica e não pode
Mais sobreviver.
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
AS ROSAS PERFUMAM A VIDA
Entre seres diversos apareceu
Um dotado das dádivas do divino
Sua vida atrelada no destino
Entre acertos e erros aconteceu.
Uma luz a brilhar resplandeceu
Seu perfil foi traçado com carinho
Toda pedra que tinha em seu caminho
Transformou-se em arbusto e floresceu
No momento que ela fraquejava
Uma força do bem lhes sustentava
Na vantagem e na sorte se saía
O galope do tempo acompanhava
Os espinhos da vida não furou
Essa rosa que cheira todo dia.
HELENA BEZERRA.
sábado, 24 de agosto de 2019
AS DORES DA REJEIÇÃO
Quando o ser humano nasce
Recebe uma proteção
Se dela fizer bom uso
Enriquece o coração
E Deus fica no comando
Apontando a direção
O cordel vai relatar
Um fato acontecido
Com um jovem muito pobre
Que vivia sucumbido
Somente da vizinhança
Ele era conhecido
Um dia foi a cidade
Ficou perto dum jardim
Lá avistou uma jovem
Colhendo flor de jasmim
Tão linda que apaixonou
O coração de Joaquim
Olhando aquela beleza
De súbito se arrepiou
E pela primeira vez
Seu coração apertou
Revestiu-se de coragem
E dela se aproximou
Interrogou-a dizendo
Você quer casar comigo?
Ela muito aborrecida
Disse fujo do perigo
Um homem pobre pra mim
É o pior inimigo
Com esta dura resposta
Conteve as lágrimas e saiu
O peito dilacerou-se
Pela dor que atingiu
O coração mergulhou-se
Na tristeza que sentiu
Vivia só meditando
A tamanha grosseria
De ter sido rejeitado
Porque nada possuía
O desprezo lhe afastava
Daquela que mais queria
Sem perder a esperança
Todo dia trabalhava
Só gastava o necessário
Sempre economizava
Investia na poupança
O pouco que lhe sobrava
Por ser muito confiante
Que um dia ia vencer
Jesus lhe favoreceu
Tudo passou a crescer
Na vida daquele jovem
Diminuiu o sofrer
O progresso evoluiu
O estudo cresceu mais
Rico em comportamento
Admirava os demais
Agradecia Jesus
E a educação dos pais.
Gostava de partilhar
Aos famintos alimentos
Cresceu em sabedoria
Cultura e conhecimentos
Agia com caridade
Combatendo os sofrimentos.
Nunca sentia atração
Quando via uma donzela
Pois não tirava da mente
Aquela mulher tão bela
Sofria por seu desprezo
Mais era louco por ela.
Um dia foi passear
Pelo shopin da cidade
Quando de súbito encontrou
Aquela que na verdade
Em uma década passada
Lhes tratou com crueldade
Ela o reconheceu
Foi logo dizendo assim
Hoje já estou casada
Meu homem cuida de mim
Ganha mais de vinte mil
Com você era meu fim
Quem vem da classe plebéia
Nunca se espera crescer
Se eu tivesse aceitado
A me casar com você
Talvez o que tu ganhasse
Não dava pra nós comer
O homem ficou ouvindo
Lágrimas no rosto descia
Era a mulher dos seus sonhos
Mas a ganancia impedia
Sufocava o coração
De quem tanto ele queria
Sem dizer uma palavra
Dali foi se retirando
Naquele mesmo momento
Um homem vinha chegando
Era o marido dela
E assim foi se expressando.
Meu patrão você aqui?
O prazer é todo meu
Esta é minha esposa
Presente que Deus me deu
E tu o homem mais rico
Que a América conheceu
Ao ouvir estas palavras
Ela quase desmaiou
Morta de arrependida
Ao marido perguntou
O que dissestes é verdade?
Com gesto ele confirmou.
Partilhou o que sabia
Da história do patrão
Meu bem ele era pobre
Teve uma grande paixão
E a moça não aceitou
Por ser ele um pobretão.
Ficou decepcionado
Com o que aconteceu
Não tirava ela da mente
Estudou muito e venceu
Dono de muitas riquezas
Mas mulher não conheceu.
Ela muito angustiada
Porém não quis revelar
Que a mulher era ela
Que não aceitou casar
Devido sua pobreza
Mandou-o se retirar
A vida ficou sem graça
O egoismo venceu
Não conheceu o amor
A matéria adoeceu
Depois da revelação
Com dois meses faleceu.
Enquanto o mundo girar
Em torno só do poder
Sem dar vaga para o amor
Se apoderar e viver
Indicando a cada um
Trocar o ter pelo ser.
Autora:HELENA BEZERRA.
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