Faço um convite sincero A todos apologistas Poetas e cordelistas Indo ao mundo virtual Pesquise em blog e jornal Viva sempre em sintonia Venha fazer companhia Curtir e apreciar E se poder comentar Um foco de poesia.
sábado, 19 de março de 2016
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
É REVOLTANTE ACEITAR
Um professor que trabalha
Cumprindo hora e mandado
No horário é pontual
Sem mandar um atestado
Trabalha até doente
Stress se faz presente
No seu corpo esmorecido
Mas cumprindo com o dever
É desgastante perder
Um direito adquirido
Cumprindo hora e mandado
No horário é pontual
Sem mandar um atestado
Trabalha até doente
Stress se faz presente
No seu corpo esmorecido
Mas cumprindo com o dever
É desgastante perder
Um direito adquirido
Enquanto os políticos usarem
Como arma educação,
Prometendo melhorar
Depois faz sonegação
Votam contra a professores
E todos educadores
Tem os ouvidos doído
De tanto ouvir prometer
É desgastante perder
Um direito adquirido
Como arma educação,
Prometendo melhorar
Depois faz sonegação
Votam contra a professores
E todos educadores
Tem os ouvidos doído
De tanto ouvir prometer
É desgastante perder
Um direito adquirido
Com duas dúzias e um ano
Você consegue ganhar
Os vinte e cinco por cento
Mas se acaso inventar
Melhorar o conteúdo
Se promover no estudo
Este direito é traído
As letras não vão valer
É desgastante perder
Um direito adquirido
Você consegue ganhar
Os vinte e cinco por cento
Mas se acaso inventar
Melhorar o conteúdo
Se promover no estudo
Este direito é traído
As letras não vão valer
É desgastante perder
Um direito adquirido
Mesmo sendo associado
Na ficha do sindicato
Pra conseguir um direito
Demora muito e é chato
Gasta toda paciência
Procura outra providência
Para não dar por perdido
A justiça vai recorrer
É desgastante perder
Um direito adquirido
Na ficha do sindicato
Pra conseguir um direito
Demora muito e é chato
Gasta toda paciência
Procura outra providência
Para não dar por perdido
A justiça vai recorrer
É desgastante perder
Um direito adquirido
Tirar de quem trabalhou
É assalto a mão armada
Infeliz da matemática
Que aprovou conta errada
Pra favorecer ladrão
Que tira da mesa o pão
Do menos favorecido
Massacrado por poder
É desgastante perder
Um direito adquirido
É assalto a mão armada
Infeliz da matemática
Que aprovou conta errada
Pra favorecer ladrão
Que tira da mesa o pão
Do menos favorecido
Massacrado por poder
É desgastante perder
Um direito adquirido
Autora Helena Bezerra
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
DEIXOU SEMENTES PLANTADAS NO CORAÇÃO DE MARTINS
A paróquia de Martins
De Deus teve a proteção
Para promover um filho
Munido de vocação
Ordenou-se sacerdote
Fiel a religião
Recebeu uma Missão
Antes de ser ordenado
Pra trabalhar em Patu
Fez além do esperado
Depois da ordenação
Pra pároco foi enviado
Como tinha conquistado
O pessoal patuense
Pediram ele de volta
Gostamos do martinense
O bispo aceitou dizendo
Este padre lhes pertence
O povo querendo vence
Foi assim que aconteceu
Dom Mariano Manzana
Com gosto ao povo atendeu
E o mandato de pároco
Possídio Lopes exerceu
Foi bom porque aprendeu
Na luta do dia a dia
O povo bem satisfeito
Dizendo nós merecia
Um padre como Possídio
Nesta nossa freguesia
Era maior alegria
Na vida daquela gente
Toda Paróquia feliz
Padre Possídio a frente
Como administrador
Fiel simples e competente
Aconteceu de repente
Uma forte remoção
O bispo diocesano
Agiu com disposição
Levando pra diocese
Padre Walter nosso irmão
Fez uma investigação
Pra achar substituto
Pensou muito avaliou
Por ser difícil o produto
Sentiu firmeza em Possídio
No seu pensamento oculto
Volto para árvore o fruto
Que a tempo está isolado
O pessoal de Martins
Que chora desesperado
Com a saída de Walter
Vão ficar mais conformado
Fez tudo bem planejado
Para depois convidar
Pessoalmente o convidou
Ele disse sem pensar
Aceito de coração
Pra minha terra voltar
É muito bom ajudar
E ao meu povo servir
Por isso é gratificante
Esta missão assumir
De evangelizar o povo
E seu afeto sentir
Ele pôde prosseguir
O que estava encaminhado
Por padre Walter Colliny
Que estava enraizado
No coração de Martins
Os seus serviços prestado
Possídio bem preparado
Já conhecia o terreno
Foi buscando o coletivo
Com o seu jeito sereno
Entrevistando os fies
Do maior ao pequeno
Do branco ao moreno
Se tornou um bom pastor
Cuidando bem do rebanho
A vida dando valor
Suas características
Honesto e trabalhador
O sentimento do amor
Sempre foi seu companheiro
Quando o fardo era pesado
Ele o tornava maneiro
Conduzindo o ministério
Servindo ao Deus verdadeiro
Fez um estudo primeiro
Para poder planejar
Sua agenda pastoral
A fim de beneficiar
Comunidades rurais
E as missas celebrar
Procurou priorizar
Com a missa semanal
Aos polos pertencentes
A área paroquial
E também rezando missas
Em cada zona rural
O seu maior ideal
É a evangelização
Capacitou muitos leigos
Com cursos de formação
Tendo a palavra de Deus
Como fundamentação
Assim entrou em ação
Os teus serviços prestando
Desde de dois mil e dez
Os leigos colaborando
Nossa igreja é um palco
Com muitas vagas sobrando
Seis anos está completando
Deste incansável pastor
Presente nesta paróquia
Celebrando com amor
A palavra de Jesus
Nosso amado salvador
Quando o bispo observou
A sua luta esforçada
Disse vou facilitar
Um pouco a sua jornada
E conseguiu outro padre
Só por uma temporada
Não demorou quase nada
Arranjou padre Iraildo
Chegando nesta paróquia
Foi muito bem recebido
E os trabalhos de Possídio
Com ele foi dividido
Dois anos padre Iraildo
Prestou serviços aqui
Quando completou o tempo
Ele não queria ir
Pois estava adaptado
Com o pessoal daqui
Como tinha que sair
Partiu deixando saudade
Possídio ficou sozinho
Com responsabilidade
E Iraildo está de volta
Na sua localidade
Como grande novidade
Padre Dian foi mandado
Para ajudar na paróquia
De Deus é um enviado
Possídio com Dian Carlos
Ficou sendo bem duplado
O povo muito animado
A Jesus agradecia
Pelos trabalhos dos dois
Feito com muita alegria
Quando um estava na serra
O outro a serra descia
Todo espaço preenchia
Do sítio até a cidade
Durante a semana tinha
Missa na comunidade
Se não fez os cem por cento
Conseguiu mais da metade
Inovação novidade
Tinha o gosto de fazer
Assembleia paroquial
No intuito de crescer
Os grupos e as pastorais
Para os fortalecer
C om isto ele fez nascer
O conselho paroquial
Transparências nos trabalhos
Era a meta principal
A reunião por polo
Acontecia mensal
O CPP afinal
É um grupo inteligente
Padres,freiras e secretária
Faz um trabalho decente
E de cada polo tem
Um leigo ou leiga presente
Estava bem com a gente
Quando a notícia bradou
Houve uma reviravolta
Teve gente que chorou
Possídio vai nos deixar
O bispo já publicou
Nove anos completou
Da sua ordenação
Nossa Senhora das Dores
E também da Conceição
A mesma Nossa Senhora
Puxa Possídio indo embora
Segurando pela mão.
(HELENA BEZERRA)
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
O EVANGELHO DAR SENTIDO A VIDA
A Paróquia de Martins
Incentivou a estudar
Criou ideias e na prática
Conseguiu logo botar
Vários grupos se formaram
Famílias evangelizaram
Orientando a rezar
O Evangelho de João
Dos três o mais diferente
Os outros apontam milagres
João mostra concretamente
Sinais feitos por Jesus
E sua morte de cruz
Pela salvação da gente
Vinte e um capítulo tem
Este famoso evangelho
No Prólogo vê-se a junção
Entre o novo e o velho
A palavra existia
Como existe hoje em dia
Velho e novo assemelho
Observando os sinais
Água transformada em vinho
Cura feita por mensagem
E do paralítico sozinho
Esperando na piscina
Que a água cristalina
Molhasse ele um pouquinho
Multiplicação dos pães
Andar no mar agitado
E o cego de nascença
Completamente curado
De Lázaro a ressurreição
Chamou pra fora o irmão
Que estava sepultado
Jesus fez esses sinais
Pra demonstrar o amor
A fé e a caridade
Desafiando o opressor
Que muito o ignorava
Quando no sábado curava
Lhe chamavam traidor
Jesus veio pra servir
E não para ser servido
Curou cego e aleijado
Perdoou até bandido
Abasteceu o faminto
Bateu de chicote e cinto
Vendo seu templo invadido
A bíblia é fonte de vida
Que nos dá sustentação
As partes dos evangelhos
Nos chamam mais atenção
Depois de ter estudado
Hoje se faz encerrado
O Evangelho de João
O amor é o resumo
De tudo que Jesus fez
O Evangelho de João
Dar testemunho a vocês
Quem duvidar vá pegar
A bíblia pra estudar
O Evangelho outra vez.
Autora: HELENA BEZERRA.
Em -25-11-2015.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
ZUMBI HEROI RESISTENTE
Zumbi era alagoano
Com seis anos aconteceu
Um gesto de desacato
Na família apareceu
E Zumbi sentindo medo
Dentro da mata correu
Alguém encontrou e deu
A um homem competente
O educou na fé católica
Ele muito inteligente
Mas trazia sua raça
Guardada na sua mente
Cresceu amigavelmente
Com Ganga Zumba seu tio
Que liderava o Quilombo
Enfrentando desafio
Perseguição portuguesa
Vindo por terra ou por rio
Entre o calor e o frio
O sadio e o doente
Ele se fez homem forte
No meio daquela gente
Disposto pra enfrentar
Lutas com gente valente
O poder extremamente
Com a maior ambição
Fez oferta de paz
Mas com uma intenção
Se apossar do Quilombo
E a sua produção
Houve uma aceitação
Do Zumba que liderava
Mas Zumbi disse não
É só o que me faltava
A coroa portuguesa
Todo negro massacrava
A luta acelerava
Zumbi a frente tomou
Ganga você é um frouxo
Com muita força gritou
A liderança é minha
E a negrada apoiou
A contenda se travou
De negro com português
Quinze anos no comando
Zumbi muita coisa fez
Como era minoria
O Quilombo se desfez
A perseguição se fez
Na intenção de tomar
O Quilombo dos Palmares
Até poder se apossar
De tudo que os quilombolas
Poderam organizar
A investida militar
Usando das agressões
Desmanchou dos quilombolas
Seus projetos e ações
Que já viviam vencendo
Todas as perseguições
Muitas organizações
Com seu grupo organizado
Zumbi vivia fazendo
Mas se tornou derrotado
Por soldados militares
Foi o Quilombo atacado
Por Jorge velho comandado
Ficou tudo destruído
A batalha foi sangrenta
Seu líder saiu ferido
Por um dos seus companheiros
Zumbi se tornou traído
Foi cochichar no ouvido
Daquele grupo agressor
Que fez a destruição
Mando do governador
Disse Zumbi tá ali
Se acabando de dor
Sem piedade e amor
Foi seu corpo judiado
Quarenta anos de idade
Foi morto e degolado
Dia vinte de novembro
Ele foi assassinado
Zumbi é considerado
Na história brasileira
Um símbolo de resistência
Que ergueu sua bandeira
Lutando pelos direitos
Da sua raça negreira.
Escreveu : HELENA BEZERRA
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
UM TUMULTO INESPERADO
Dia cinco de novembro
Assim que amanheceu
Um estrondo diferente
No alto apareceu
E o povo sobressaltado
Pro meio da rua correu.
Assim que amanheceu
Um estrondo diferente
No alto apareceu
E o povo sobressaltado
Pro meio da rua correu.
Um helicóptero voando
Tão baixo tirando fino
Nos tetos das moradias
Mudou do povo o destino
Acordando pra correr
Adulto velho e menino
.
Tão baixo tirando fino
Nos tetos das moradias
Mudou do povo o destino
Acordando pra correr
Adulto velho e menino
.
O helicóptero por cima
O povo em baixo correndo
Não sabia do motivo
Que estava acontecendo
O povo em baixo correndo
Não sabia do motivo
Que estava acontecendo
Uma hora era subindo
Outra hora era descendo
Até aquelas velhinhas
Que gostam de repousar
Correram de camisolas
Nem café pôde tomar
Afim de saber e ver
Onde ele ia pousar
Pousou perto duma praça
O povo chegou primeiro
Uma nuvem de poeira
Formou-se muito ligeiro
Espanou terra nos olhos
Do primeiro ao derradeiro
Viram que era polícia
Com fuzil em posição
Apontando para frente
Ou em outra direção
Curiosos avançando
Pra entrar no avião
Com fuzil em posição
Apontando para frente
Ou em outra direção
Curiosos avançando
Pra entrar no avião
.
Avançaram pra saber
O que tinha acontecido
Um policial gritou
Afasta povo atrevido
E o fecha fecha do povo
Fez o trânsito interrompido
O que tinha acontecido
Um policial gritou
Afasta povo atrevido
E o fecha fecha do povo
Fez o trânsito interrompido
O prefeito da cidade
Pra não ter constrangimento
Decretou facultativo
Não houve atendimento
Disse sozinho eu não fico
Vou ver este movimento
Decretou facultativo
Não houve atendimento
Disse sozinho eu não fico
Vou ver este movimento
O sol quente como brasa
Suor no corpo escorrendo
Uns calados outros gritavam
O que está acontecendo?
Será que é um bandido
Que tá aqui escondendo?
Suor no corpo escorrendo
Uns calados outros gritavam
O que está acontecendo?
Será que é um bandido
Que tá aqui escondendo?
Água sobrava nas pipas
Ninguém não dava atenção
Quem ia olhar ficava
No meio da população
Um olho no policial
E outro no avião.
Quem ia olhar ficava
No meio da população
Um olho no policial
E outro no avião.
Ficaram até meio dia
Naquele sol causticante
A população ali
Não arredava um instante
Vendo o famoso helicóptero
E o capitão Brilhante.
Naquele sol causticante
A população ali
Não arredava um instante
Vendo o famoso helicóptero
E o capitão Brilhante.
Investiam novamente
Polícia nós quer saber
Porque vocês tão aqui
Os homens sem responder
Fecharam a cara dizendo
O que vocês vão querer
Polícia nós quer saber
Porque vocês tão aqui
Os homens sem responder
Fecharam a cara dizendo
O que vocês vão querer
Este dia foi marcante
Abalou a estrutura
A massa frutuosense
Com polícia se mistura
A fim de saber o certo
Quem a policia procura.
Abalou a estrutura
A massa frutuosense
Com polícia se mistura
A fim de saber o certo
Quem a policia procura.
Helena Bezerra
sábado, 24 de outubro de 2015
A VOZ DO AÇUDE
A VOZ DO AÇUDE DE LUCRECIA
Eu tive meu nascimento
Pelos outros planejado
Fui nascendo devagar
Pelas dôres ajudado
Quando cheguei foi sucesso
Parecia que o progresso
Vinha também do meu lado
Fui crescendo devagar
A natureza ajudando
Até que fiquei formado
Toda hora trabalhando
Em muitas atividades
Mil e umas atividades
Iam de mim explorando
Ao romper da alvorada
A brisa soprava fria
Passava a noite aquecido
Quando a brisa me envolvia
Soltava um som tão bonito
Sumia no infinito
Com a chegada do dia
Água tinha em abundância
Pra tudo que precisava
Um recipiente cheio
No ano que não sangrava
Nada ia enterroper
Não dava nem pra saber
Se o meu nível baixava
Forneci muito alimentos
Para o povo do sertão
Matei a fome do povo
Salvei vidas fiz questão
De abastecer as mesas
Diminuindo as depesas
Com arroz milho e feijão
Batata doce e tomate
Eram muito procuradas
Para outras regiões
Elas eram exportadas
Geraram empregos rendas
Eram muitas encomendas
Pelo povo encomendadas
O lazer era infalivel
Todo final de semana
Recebi muitos turistas
Da terra paraibana
Pulavam do meu chapéu
Só não era como o céu
Porque consumiam cana
Navegavam de canoa
Pescavam peixe e comiam
O que sobrava da farra
Para o comercio vendiam
Era grande a abundância
Ninguém media a distância
Pra ter o que pretendiam
Quando a chuva caia
Iniciando o inverno
Peixes formavam cardumes
Subia e ficava externo
Até criança pegava
Como era liso soltava
Lama e terra era seu terno
Pobre que não tinha nada
Se tornou um fazendeiro
Platava capim que dava
Pra ganhar muito dinheiro
Criava gado e vendia
E o leite garantia
Todo dia o seu têmpero
Me tornei ponto turistico
Oferecendo lazer
Somente durante o dia
A noite poucos iam ver
Quando a água se bulia
Um bicho aparecia
E aja gente correr
E aja gente correr
A lenda diz o formato
Parecia um animal
Dois metros de comprimento
A largura era normal
Piabas festa fazia
Uma voz no ar dizia
Se afugentem do mal
Uns viam e outros não
Aquele bicho falado
Era o assunto do povo
Isso é um pagão jogado
A mãe pra não ser falada
É assassina malvada
Ele quer ser batizado
Depois as águas baixaram
Tudo desapareceu
O bicho lá do açude
Com a quintura morreu
Ta enterrado na lama
Quam deu tanto ibop e fama
Ninguém nunca conheceu
Era muito visitado
Por gente e animais
Se refrescavam nas águas
Me exploravam demais
Destruindo minha vida
Abriam tantas feridas
Que não saram nunca mais
Fui agregado do povo
Pra todas as necessidades
Disposto para servir
A muitos localidades
Do trabalho ao lazer
Água para abastecer
Fazendas sítios e cidades
Os anos foram passando
E eu fui adoecendo
Gemia ninguém ouvia
Dia e noite padecendo
Sem perceber o motivo
Me tornava num cativo
Do que estava sofrendo
Senti uma força forte
Mandando eu observar
Vi esgoto imundo entrando
Onde não podia entrar
Os animais que morriam
Depois que apodreciam
Vinham em mim despejar
A imundice trazida
Pelas mãos que ajudei
Jogados dentro de mim
Confesso que fracassei
Mais de setenta por cento
Foi o maior sofrimento
Que muitos anos enfrentei
Ainda pude observar
Uma grande podridão
Penetrando em minhas veias
Descendo até o porão
Onde a água limpa e pura
Com sujeira se mistura
Formando a poluição
Ainda fui mais além
De susto fiquei parado
Virei uma grande fossa
Que povo mal educado
Vão matar de sofrimento
O pivor do alimento
Que nos lares tem chegado
Chorei muito de tristeza
Sentindo muita agonia
As vertentes soterrados
Escavação na sangria
Tanta água destruida
Aos poucos tirando a vida
De quem com gosto servia
E assim foi muitos anos
Sofrendo para sustentar
Familias de longe e perto
Que quisesse trabalhar
De mim tirava o sustento
Mas se moresse um jumento
Trazia pra me ofertar
Assim ia acomulando
Toda imundice que havia
A CAERN ia tratando
Mas muito pouco servia
A chuva foi se afastando
O poço grande secando
Seu volume todo dia
A mãe natureza disse
Meu filho a dor te sufoca
A ingratidão do povo
Todo o mal te provoca
Mas continue na missão
Mesmo com perseguição
Ofereça o bem em troca
Olhando ao meu redor
Vejo tudo se acabando
Capim tostado fedendo
A lama toda rachando
Os peixes todos morrendo
Dentro da lama batendo
E outros se sufocando
A minha água fedida
Todo mundo aproveitava
Seu volume foi baixando
Ao povo preocupava
Até que chegou o dia
Na torneira não saia
Nenhuma gota pingava
Estou com mais de oitenta
Prestando serviço ao povo
Ninguém me reconheceu
Morro pra nascer um novo
Que possa exigir respeito
Pra não sofrer do meu jeito
Igual um pinto no ovo
Adeus dias de alegria
Quando as chuvas me enchia
As águas das cachoeiras
Em busca de mim descia
Adeus vazantes adeus campos
Adeus luz dos pirilampos
Quando terminava o dia
A todos meus usuários
Minha recomendção
Que nunca falte dinheiro
Coragem e disposição
Aprendam economizar
Pra nunca água faltar
Em cada habitação
Esta é minha despedida
É longa minha história
Os meus primeiros contatos
Ficou gravado em memória
Meu lema foi ajudar
Sofri muito pra chegar
Ao final da trajetória
Termino clamando aos céus
Não deixe o sol me queimar
Leve um pouquinho de mim
E se puder transformar
Faça ao menos chuva fina
Cair como uma neblina
Na hora deu expirar.
HELENA BEZERRA.
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