quarta-feira, 21 de julho de 2021

               MATUTO NÃO ASSUMIDO


Manezim  num aceitava

viver morano no mato

cono fez dezoito ano

foi pedir ao canidato

pra fazer seu documento

foi montado num jumento

chapéu de couro e sapato.


Resolveu tudo num dia

seno exposto a exigênça

seno para viajar

precisa  ter paciênça

e a eleição esperar

e o seu favor pagar

com muita eficiênça.


Ficou tudo combinado

cuno a eleição passou

foi pidir sua passage

teve a resposta num dou

entonse eu quero trabaio

o meno um quebra gaio

um disse ele indoidou.


Bateu nele uma revorta

transformano em corage

pidiu a um e a outo

o dinnhêro da passage

no ondo da aviação

se dispidiu do sertão

e siguio sua viage.


Foi isbarrar im são Paulo

mais de três dias passou

infado,fome e cansaço

tanto lhe incomodou

foi na mira dum amigo

que disse te dou abrigo

mais a comida num dou.


Aqui é tudo difice

só fica se trabaiá

tou indo pro meu sirviço

só a noite vou vortá

corra atrás você tombém

qui ninguém é de ninguém

vá aprender se virá.


Ele num tinha noção

do qui pudia fazer

botou a bolsa no chão

cumeçou se arrepender

meu Deus! Eu vim inganado

morto de fome e cansado

sem ter nada pra comer.


Ficou ali sem ação

no outo dia saiu

andano a pé pelas rua

nenhum cunhicido viu

rua a cima rua a baxo

a noite ficou debaxo

dum viaduto e drumiu.


Acordou na madrugada

siguiu noutra direção

pidia pra trabaiá

onde tinha construção

ninguém atenção lhe dava

há passos lentos passava

temendo recramação.


Assim foi duas sumana

todo dia procurano

sirviço e num incontrava

o dinheiro se acabano

 comprava um pão por dia

e a água qui bibia

Era economisano.


cono compretou um mês

chorava arrependido

há seu pudesse vortá

pro meu nordeste querido

lá sim é lugar de gente

aqui me sinto duente

pelo que tenho sufrido.


Um intregador de leite

qui todo dia passava

proguntou a manezim

se ele o acompanhava

a fazenda do patrão

tava fartanno pinhão

eu seno você topava.


Ele aceitou o convite

foi logo no bagageiro

pensava consigo Deus

tá usano este leiteiro

sem nada ser pranejado

ele foi apresentado

na casa do fazendeiro.


Dispôs de uvir o leiteiro

a manezim alertou

expôs a sua ixigênça

a precisão ajudou

ele aceitar tudo aquilo

permanecia tranquilo

e a trabaiá cumeçou..


Três mês de experiência

sem receber um tostão

a bóia era garantida

a dormida era no chão

só o domingo folgava

o dia todo lembrava

sua vida no sertão.


cono o praso foi vincido

começou a receber

o salaro todo mês 

agradecia por ter

começou a pranejar

uma forma de juntar

pra seu desejo vencer.


cumbinou com o patrão 

pra deixar dispusitado

na sua conta bancara

pesso qui deixe guardado

quero cuno for imbora

pruque eu num vejo a hora

de vortá pru meu estado.


Três ano sem tirá féras

todo dia trabaiano

mandou repará a conta

e viu qui dava sobrano

se prepará pra vortá

e a passage  comprá

o dia tava chegano.


Tudo certo agradeceu

ao leiteiro e ao patrão

se dispediu da fazenda

com um aceno de mão

e seguiu rumo a cidade

com muita felicidade

transbordando o coração.


Foi direto a uma loja

comprou primeiro a passage

relojo,roupas,calçados

comprou mala pra bagage

pra cada irmão um presente

um gravador bem potente

o suscesso da viage.


Cuidou da sua aparênça

em uma barbearia

usou um liforme novo

e bota preta macia

 cavanhaque bem cortado

uma ponxete de lado

e um raido na sintonia.


Cum três dias de viage

as duas da madrugada

chegou a casa paterna

a turma toda deitada

ele na porta bateu

abra qui aqui é eu

não  aguento massada.


Foi um fusuê danado

cum mistura de aligria

pruque num dava nutiça

a mãe chorano dizia

meu fio eu tanto chorava

só pruque eu me lembrava

qui você num existia.


Mãeê a cidade grande

é munto movimentada

o corre,corre da gente

ninguém tem tempo pra nada

é outo mundo lá fora

eu num vinha nem agora

mais dei esta cabeçada.


Chiava demais da conta

na casa quele chegava

era uma festa na certa

todo mundo admirava

munta cunversa bunita

inquanto passava a fita

qui o gravador tocava.


Mintia a todo vapor

e o povo acreditano

aqui é munto atrasado

vocês tão é se matano

lá é tudo diferente

desinvorve tanto a gente

a vida é só miorano.


Sem tistimunha de vista

toda mintira colava

disfazia dus parentes

nada ele combinava

por dentro a alma dizia

livra Jesus todo dia

da vida qui tu levava.


O preconceito é um prego

cravado no pensamento

rejeita até a origem

o berço do nascimento

Manezim sofre um bucado

com seu viver atrelado

no mundo do fingimento

Autora: HELENA BEZERRA..

 










              EFEITOS DA PANDEMIA


Com o Lockdown que houve

naquela localidade

a zona urbana  deserta

deu toda oportunidade

aos animais famintos

abandonar os recintos

pra ir até a cidade.


A noite se aproximava

uma senhora saía

como era de costume

caminhava todo dia

numa praça da cidade

pra manter a qualidade

da sua forte energia.


Entre as idas e vindas

quem veio ao encontro seu

um guaxinim ferozmente

o trajeto interrompeu

avançando contra ela

desferiu um soco nela

que no solo se estendeu.


Caiu em cima mordendo

suas carnes mastigando

ela indefesa  no chão

o bicho lhe devorando

o povo ficou parado

num recanto recuado

a cena observando.


A agonia invadiu

mas a fé prevaleceu

os ferimentos profundos

derramando o sangue seu

veio um espírito de luz

comandado por Jesus

e a mulher socorreu.


Entrou na luta ferrenha

a murro e a pontapé

o animal  agressivo

forte igual um jacaré

pata armada pra sangrar

o  homem pôde salvar

aquela mulher de fé.


A vida do animal

ali foi eliminada

a mulher foi socorrida

está sendo bem cuidada

o seu viver continua

até caminhar na rua

há riscos de emboscada.


Deixar o seu habitat

mesmo estando ruim

é atirar no escuro

com explosão de estopim

um alerta fica dado

para não fazer errado 

como fez o guaxinim.

Autora: HELENA BEZERRA.